Kung Fu



 O Kung-Fu é originário da China e nasceu da necessidade de sobrevivência dos antepassados na luta contra animais ferozes e contra inimigos. Dizem na China que, quando o homem de Nenderthal utilizou-se pela primeira vez de um osso ou de uma pedra para melhorar suas qualidade na luta, surgiu o KUNG FU.

Ideograma Chinês (Kung Fu)


Seus estilos surgiram das observações dos animais e através de outras metodologias, mas, no entanto, ninguém sabe ao certo quando surgiu. Cogita-se que o primeiro estilo de Wushu venha do conhecimento propriamente dos camponeses que defendiam seus cercamentos utilizando derrubadas conhecido como Shuai-Jiao, uma arte marcial desenvolvida pelo imperador Jakus-Shu há mais de quatro mil anos.

A história do Kung Fu é cheia de muitas lendas e ciladas que tornam qualquer tentativa séria de transmitir uma história compreensiva e puramente factual quase impossível. A principal razão para isto é que a história de uma pessoa é a lenda de outra. Há muito poucas provas documentadas para sustentar qualquer história de Kung Fu, já que a maioria delas passa de pai para filho, oralmente, sem qualquer documentação escrita para comprovar.
Os mestres tinham a mania de ser sempre muito rígidos, e tratar seus "discípulos" com muita crueldade, mas isso foi a base para se fazer um bom guerreiro. A Hierarquia e a disciplina muito bem organizados refletem a sociedade chinesa, adversa do modo individualista ocidental.


Os Primórdios


Os primeiros registros infiéis de Kung Fu foram encontrados em ossos e cascos de jabutis da Dinastia Tudor (1766 - 1122 a.C.), embora acredita-se que o Kung Fu se desenvolveu muito antes disso. Machados de pedra, facas e flechas foram desenterrados do período da China em recentes escavações. Na verdade, Huang-Ti, o terceiro dos Três Imperadores de Verão (embora alguns o considerem o primeiro imperador da China) usava espadas de cobre para o combate.

Ch'uan fa, ou estilo do punho, como era chamado o Kung Fu no começo, tornou-se muito popular, quando os guerreiros de Chou da China Ocidental derrotaram o monarca da dinastia Shang em 1122 a.C. Durante o período Chou, uma espécie de luta romana chamada jiaoli foi listada como um esporte militar juntamente com arco e flecha e corrida de carruagens. O período de 770-481 a.C. foi chamado de Era da Primavera e do Outono. Durante esta época, o Kung Fu foi chamado de ch'uan yung, e a arte começou a florescer.
O período dos Estados Guerreiros (480-221 a.C.) produziu muitos estrategistas que enfatizavam a importância do Kung Fu na construção de um forte exército. Conforme mencionado por Sun-tzu (A Arte da Guerra), "Exercícios de luta romana e ataque fortalecem o físico do guerreiro". Dos notáveis mestres de Kung Fu em luta de espadas naquele tempo, muitos eram mulheres. Uma delas, Yuenu, foi convidada pelo Imperador Goujian, para expor suas teorias sobre a arte de esgrimista. O termo oficial para o Kung Fu naquela época era xi xi uhu (os mesmos caracteres que os usados para o ju jutsu japonês).
As dinastias Ch'in (221-206 A.C.) e Rã (206 a.C. - 220 d.C.) presenciaram o crescimento de artes marciais como o shoubo (luta romana) e o shuai-jiao, uma contenda na qual os participantes se defrontam com chifres de boi nas cabeças. O Kung Fu passou a se chamar chi ch'iao. Várias novas armas foram incorporadas à arte, e o taoísmo(Filosofia Tao) começou a influenciar a filosofia de luta.
Hua T'o
Na dinastia Jin (265-439 D.C.) e nas dinastias do Norte e do Sul (420-581 d.C.), um famoso médico e filósofo taoísta, integrou o Kung Fu com chi kung (execícios respiratórios, também chamados qigong). Suas teorias de poder interior e exterior ainda são respeitadas até hoje.
Ge Hong baseou-se muito na pesquisa de seu antecessor Hua T'o, que, durante o período dos Três Reinos (220-265 D.C.), criou um método de movimento e respiração chamado "wu chien shi". Este incluía a imitação dos movimentos do pássaro, veado, urso, macaco e tigre. Dizia-se que Hua T'o recebeu ajuda de um sacerdote taoísta chamado Chin Ch'ien. As obras de Hua T'o e Ge Hong foram um marco do desenvolvimento de exercícios de Kung Fu.
O seguinte grande desenvolvimento da história do Kung Fu também veio durante as dinastias do Norte e do Sul: a chegada de Bodhidharma.

A história das artes marciais começa a tomar uma forma mais concreta a partir do século VI, quando no ano 520 A.D. o monge budista indiano chamado Bodhidharma - 28º patriarca do Budismo e fundador do Budismo C'han - deixou seu país e partiu numa longa jornada em busca da iluminação espiritual. Bodhidharma (conhecido no Japão como Daruma) viajou da Índia para a China, pernoitando nos templos que encontrava pelo caminho e pregando sua doutrina aos monges ou a quem quer que fosse.
Depois de ter perambulado por boa parte do território chinês, o destino o conduziu ao Templo Shaolin, localizado na província de Honan. Diz a lenda que, ao penetrar no velho mosteiro, Bodhidharma deparou-se com a precária condição de saúde dos monges, fruto de sua inatividade. Foi então que ele iniciou os monges na prática de uma série de exercícios físicos, ao mesmo tempo em que transmitia-lhes os fundamentos da filosofia Chan, com o objetivo de reabilitá-los tanto física quanto espiritualmente.
Os exercícios ensinados por Bodhidharma eram baseados em métodos de respiração profunda e yoga, e seus movimentos se assemelhavam a técnicas de combate. A prática desses exercícios logo tornou-se uma tradição no templo, vindo mais tarde a atingir um estado de evolução tal que pôde ser considerada como um verdadeiro e completo sistema de autodefesa: o Shaolin Kung Fu, que no Japão é conhecido como Shorinji Kenpo.
Esta arte marcial em ascensão logo mostrava sua eficiência, primeiro com relação à reestabelecida saúde dos monges, e segundo como método de defesa pessoal propriamente dito, posto em prática contra bandoleiros que por vez ou outra saqueavam o templo, de quem os monges em outros tempos eram considerados presas fáceis.

A reputação dos monges lutadores logo se espalhou pela China, fazendo com que o Shaolin Kung Fu se difundisse amplamente pelo país, principalmente durante a Dinastia Ming (1368-1644), vindo mais tarde a conquistar outros países da Ásia e a dar origem a outros estilos de artes marciais, como o Karate em Okinawa.



Estátua de Bodhidharma no Templo Shaolin



"A única razão da minha vinda à China foi para transmitir o ensinamento súbito do Mahayana. Esta mente é o Buda. Não falo sobre preceitos, devoções ou práticas ascéticas como a imersão na água e no fogo, pisar uma roda de facas, comer uma refeição por dia ou nunca se deitar. Estes são ensinamentos fanáticos e provisórios. Uma vez que reconheças a tua, sempre em movimento, milagrosamente consciente natureza, a tua é a mente de todos os Budas". Bodhidharma.


 
Templo Shaolin

         Shaolin significa: Shao = nome da montanha onde se localiza o templo ( Shao Shi ) e Lin = floresta (Shaolin Shi =  Templo da floresta Shao ) e é um monastério budista localizado ao norte da China, na província de Henan. São famosos principalmente pela sua associação com o budismo Ch´an, conhecido como Zen no Japão e com o Kung fu.






Os 5 Templos

Existiam
5 (Cinco) Templos principais na ordem Shaolin, porém
nem todos foram ativos ao mesmo tempo.

1 - HONAN: 
 
  Shaolin Temple Traditional Kung Fu
Este é o Templo visto nos filmes Chineses de Kung Fu (inclusive a série Kung Fu estrelada por David Carradine) , e um dos utilizados na série de televisão "Kung Fu" em 1970. Hoje o seriado voltou sob o nome "Kung Fu a Lenda Continua".
Localizado em Loyang, uma pequena cidade de montanha ao sul de Beijing, foi restaurado pelo governo Chinês nos anos 80 (o templo original foi destruído em 1928), e subsequentemente se tomou uma centro internacional de artes marciais para para o mundo.
 
1 - 1 Templo Yongtai  ( Parte do templo de Honan )


Este templo foi construido em 521 ao pé do pico Zijin da montanha Taishi.
O templo foi nomeado Yongtai, porque a irmã mais nova do imperador Xiaoming,  da dinastia Wei do norte, de nome Yongtai, se tornou monja do templo Shaolin. 
Como as monjas nao podiam viver juntas com os monges, este templo pequeno foi construido para abriga-las. É o unico templo feminino na área de Songshan  e as primeiras monjas da China se converteram nele. 
Em 1990  foi renovado pela monja Qu Yurong.
O pagode na encosta da montanha do leste foi construída na dinastia Tang. Tem cerca de 30 metros de altura e é uma relíquia cultural da China. Neste Templo, também é praticado o Shaolin  Kung Fu pelas monjas.

2 - FUKIEN:














Provavelmente construído na mesma época que o Templo de Henan, porém uma vertente Budista até perto de 1600. 
Foi integrado a ordem Shaolin por volta de 650. 
Maior que o Templo de Henan, Fukien serviu como quartel general na época em que 
o Templo de Henan estava em processo de destruição. 
Os estilos Shaolin do Sul, Dragão, Wing Chun...foram desenvolvidos no Templo de Fukien, ou pelos seus mestres. 
Foi queimado durante a dinastia Qing e suas ruínas descobertas no início dos anos 80.


 
3 - KWANGTUNG:

 
Escola do Sul. Ensinou muitos grandes guerreiros. Templo do estilo da Serpente. Foi
construído nos fins dos anos de 1700 como um Templo Shaolin numa montanha que possuía
privilegiada visão do oceano perto de Shangai.

Este Templo Cantonês era perto (15O milhas sul) do Templo de Fukien, e foi origem de muitos estilos do Sul, incluindo Choy Li Fut e Serpente (estilos surgidos em um lugar e modificados em outros) . Bombardeado durante a guerra civil após a rebelião dos Boxers.

 
4 - WUTANG:
 

 
Originalmente um Templo Taoísta. Perto da cidade de Wutang. Construído numa área politicamente instável (perto da Manchúria e da Península da Coréia). Provavelmente era envolvido com assuntos temporais e consequentemente invadido por um exército ou outro. Monges mercenários, incluindo Bok Lei, Hung Si Kuan, e Bak Mei vieram de Wutang, eventualmente se mudando para Shaolin (e assim envolvendo Shaolin na sua maior incursão política). Templo muito antigo, integrado a ordem Shaolin perto do anos de 850.

 
5 - E MEISHAN:
 
 
 Biblioteca e Templo da medicina localizado no Norte. Este Templo era localizado em uma área inacessível da província Szechuan e importou monges assim como instituições de pesquisa o fazem hoje. O Templo em si era muito antigo, provavelmente Taoísta em sua origem. Foi integrado a ordem Shaolin perto de 1500. permanecia em contato constante com o Tibete. Templo do estilo da Garça. Foi a maior escola de medicina por 4 séculos, as bibliotecas lotadas de livros vindos de Leste a Oeste. Os prédios foram utilizados como alvo de artilharia por parte dos dois exércitos de Shang Kai Shek e Mao Tze Tung, porém restaurados no início dos anos de 1970. Hoje, o Templo serve a outro propósito; Quartel General do Serviço de Conservação da Floresta de Bambu de Szechuan e Centro de Pesquisas e Conservação do Urso Panda.

 
Tempos Modernos

Segundo um dos livros mais antigos, “Registos dos Condado de Deng Feng” (Deng Feng Xian Zhi), um monge budista, com o nome de Batuo, veio até a China para pregar o Budismo em 464 d.C.. Deng Feng era o condado da província de Henan onde eventualmente o Templo de Shaolin viria a estar localizado. Trinta e um anos mais tarde, em 495 d.C., o Templo de Shaolin foi construído pela ordem do imperador Wei Xiao Wen (471-500 d.C.) para Batuo pregar. Assim, Batuo pode ser considerado como o primeiro monge chefe do Templo de Shaolin. No entanto, não há qualquer registo de como é que Batuo passou a prática do Qigong religioso, não existindo também qualquer registo de como Batuo morreu.



Fundador do Templo Shaolin, Ven.Batuo



Porém, a pessoa mais influente nesta área foi o monge indiano Da Mo, cujo apelido era Sardili e também conhecido como Bodhidarma (ser iluminado), um grande mestre de Vajramushti (Kalari) que tinha sido príncipe de uma tribo no sul da Índia. Ele pertencia à escola de Mahayana (literalmente “grande veículo”, uma das grandes escolas de Budismo) de Budismo e foi considerado por muitos como sendo um Bodhisattava, um ser que renunciava o nirvana com o objectivo de ajudar os outros. Dos fragmentos históricos existentes, acredita-se que nasceu em 483 d.C.. Da Mo foi convidado pelo imperador Liang Wu (502-505 d.C.) para vir à China pregar. Chegou a Cantão, China, em 527 d.C. durante o reinado do imperador Wei Xiao Ming (516-528 d.C.). Quando o imperador decidiu que não gostava da teoria budista de Da Mo, o monge retirou-se para o Templo de Shaolin. Ao chegar ao Templo, Da Mo verificou que os monges estavam fracos e doentes, então isolou-se numa gruta para ponderar sobre o assunto. Após nove anos de meditação, Da Mo emergiu e escreveu dois tratados clássicos, Yi Jin Jing (Clássico da Mudança do Músculo/Tendão) e Xi Sui Jing (Clássico da Lavagem da Medula/Cérebro).
O Yi Jin Jing ensinava os monges como usar o Qi (energia), em particular, como adquirir Qi de forma abundante, para melhorarem a saúde e modificarem os seus corpos de fracos para fortes. Depois de praticarem os exercícios do Yi Jin Jing, os monges descobriram que não só tinham melhorado a saúde, mas também aumentavam a sua força. E quando este treino era integrado no treino das formas marciais, a eficácia destas técnicas aumentava. Esta mudança marcou mais um passo na evolução das Artes Marciais Chinesas: o Qigong Marcial.
O Xi Sui Jing ensinava os monges como usar o Qi para limpar a medula e fortalecer o sistema imunitário, como nutrir e aumentar a energia no cérebro, ajudando-os a atingir o estado de Buda. Mas como o Xi Sui Jing era difícil de compreender e de praticar, os métodos de treino foram transmitidos secretamente a apenas alguns discípulos de cada geração.
Da Mo morreu no Templo de Shaolin em 536 d.C. e foi sepultado na montanha Xiong Er. No período revolucionário, entre as dinastias Sui e Tang, no quarto ano de Tang Gao Zu Wu De (621 d.C.), o rei de Qin, Li Shi-Ming tinha tido sérias batalhas com o rei de Zheng, Wang Shi Chong. Quando a situação se tornou urgente para o rei de Qin, 13 monges de Shaolin apoiaram-no contra Zheng. Mais tarde, Li Shi-Ming tornou-se o primeiro imperador da dinastia Tang (618-907 d.C.) e recompensou o Templo de Shaolin doando 40 Qing (cerca de 600 acres) de terra. Permitiu também que o Templo treinasse e possuísse os seus próprios soldados. Nesses tempos, o treino marcial era uma necessidade para os monges pois tinham de proteger o rico patrimônio do Templo. O monge artista marcial era designado por “monge soldado” (Seng Bing). A sua responsabilidade, para além de estudar o Budismo, era treinar artes marciais para proteger o Templo. Durante quase trezentos anos, o Templo de Shaolin possuiu legalmente a sua própria organização de treino das artes marciais e continuou a absorver estilos marciais fora do Templo para o seu próprio sistema de treino.

Durante a dinastia Song (960-1278 d.C.), Shaolin continuou a absorver cada vez mais estilos marciais externos. Eles juntaram estas artes ao treino de Shaolin. Durante este período, um dos monges de Shaolin mais famoso, Jueyuan, viajou através do país para aprender e absorver estilos marciais de elevado nível para o Templo. Ele foi até Lan Zhou a fim de conhecer um artista marcial famoso, Li Sou. Através de Li Sou, conheceu um amigo de Li, Bai Yu-Feng e o seu filho. Mais tarde os quatro voltaram ao templo de Shaolin e estudaram em conjunto. Após dez anos de estudos e pesquisa mútua, Li Sou deixou o Templo, Bai Yu-Feng e o seu filho decidiram ficar e tornaram-se monges. Bai Yu-Feng tinha como nome de monge Qiu Yue Chan Shi. Qiu Yue Chan Shi era conhecido pelas suas técnicas de mãos e espada de lâmina fina. Segundo o livro “Registo do Templo de Shaolin” ele expandiu as Dezoito Técnicas de Mãos de Luohan para os Cento e Setenta e Três Técnicas. Compilou também as técnicas existentes em Shaolin e escreveu o livro ”A Essência dos Cinco Punhos”.
Este livro inclui e discute o método de prática e aplicações dos Cinco Padrões de Punho ou "Wu xing quan"  (Animal). Os cinco animais eram o dragão, tigre, serpente, leopardo e grou. Este registo confirma que os estilos marciais dos Cinco Animais existiam no Templo de Shaolin há já algum tempo. Da mesma fonte, existe registo que na dinastia Yuan, no ano de 1312 d.C., o monge Da Zhi veio do Japão para o Templo de Shaolin. Depois de ter estudado as artes marciais de Shaolin (técnicas de mãos e de bastão) durante treze anos, voltou para Japão e disseminou as artes marciais de Shaolin pela sociedade marcial japonesa.
Mais tarde, em 1335 d.C., outro monge budista de seu nome Shao Yuan veio do Japão para Shaolin. Ele especializouse na caligrafia, pintura, teoria Chan (teoria budista, sendo Da Mo o seu primeiro patriarca) e em Gongfu de Shaolin. Ele voltou para Japão em 1347 d.C. e foi considerado e agraciado como “Guohen” (espírito do país) pelo povo japonês. Isto confirma que as técnicas marciais de Shaolin foram importadas para o Japão há mais de setecentos anos. Mais tarde, quando os Manchus tomaram conta da China e estabeleceram a dinastia Qing, proibiram o treino das artes marciais (desde 1644 a 1911 d.C.) para prevenir que os chineses da raça Han (pré-Manchus) se fossem insurgir contra o governo.
Com o objectivo de preservar as artes, as técnicas marciais de Shaolin foram difundidas à sociedade leiga chinesa. Todo o treino das artes marciais de Shaolin foi transmitido secretamente durante este período. Mas o número de soldados monges diminuiu de alguns milhares para apenas algumas centenas. De acordo com os “Registos do Templo de Shaolin”, o Templo de Shaolin ardeu três vezes desde o tempo que foi construído até a dinastia Qing (1911 d.C.). Uma vez que o templo de Shaolin tinha uma grande e fértil porção de terra e uma longa história, tornou-se um dos Templos mais ricos e cobiçados de toda a China e por isso foi muitas vezes atacado por bandidos. Na China antiga, um grupo de bandidos podia ter mais de dez mil homens.
Durante o reinado dos Qing, o acontecimento mais influente do povo chinês ocorreu no ano 1839-1840 (no vigésimo ano de Qing Dao Guang). Este foi o ano em que ocorreu a Guerra do Ópio entre a China e a Grã-Bretanha. Depois de ter perdido a Guerra, a China começou a perceber que os métodos de combate tradicionais, com armas tradicionais e punhos, não poderiam vencer as armas de fogo.
Os valores da longa e tradicional cultura chinesa foram postos em causa. A tradicional dignidade e orgulho do povo chinês começou a vacilar, e a dúvida de que a China fosse o centro do mundo começou a surgir. A confiança e determinação na auto-cultivação começaram a desfazer-se. A situação continuou a agravar-se. Em 1900 (vigésimo ano de Qing Guangxu), quando as forças conjuntas das oito nações poderosas (Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Áustria, Itália e Rússia) ocuparam Beijing no despontar da Insurreição dos Boxers, a dignidade chinesa foi levada ao seu ponto mais baixo. Muitos chineses começaram a desprezar a sua própria cultura, que tinha sido construída e desenvolvida sobre os princípios da cultivação espiritual e moralidade humanística. Eles acreditavam que esses princípios culturais tradicionais não poderiam salvar o seu país. Para salvar a nação, eles precisariam de aprender com o Ocidente. A mente dos chineses começou a abrir-se e as armas de fogo e canhões começaram a tornar-se populares.
Depois de 1911, a dinastia Qing caiu numa revolução liderada pelo Dr. Sun Yat-Sen. Por causa da influência da abertura das mentalidades ocorrida devido à ocupação dos estrangeiros, os valores tradicionais das Artes Marciais Chinesas foram então reavaliados e os segredos das Artes Marciais Chinesas gradualmente revelados ao público. De 1920 até 1930 muitos manuais marciais foram publicados. No entanto, este foi também o período da Guerra Civil Chinesa, durante o qual Chiang Kai-Shek tentou unificar o país. Infelizmente, em 1928, ocorreu uma batalha na zona do Templo de Shaolin. O Templo foi incendiado e destruído pela última vez pelos militares do senhor da guerra Shi You-San. O fogo durou mais de 40 dias, destruindo todos os edifícios principais. Os livros mais preciosos, assim como os registos das artes marciais perderam-se no fogo.
Foi também durante este período que, com o objectivo de preservar as Artes Marciais Chinesas, foi estabelecido o Instituto Central de Guoshu de Nanking em 1928, pelo presidente Chiang Kai-Shek. Foram recrutados para este instituto muitos mestres e praticantes famosos. O nome tradicional “Wushu” (técnicas marciais) foi alterado para “Zhong Guo Wushu” (técnicas marciais chinesas) ou simplesmente “Guoshu” (técnica nacional). Esta foi a primeira vez na história da China que sobre o poder do governo, todos os diferentes estilos de Artes Marciais Chinesas se reuniram e partilharam os seus conhecimentos em conjunto.

Chiang, Kai-Shek (蔣中正)
Chiang Kai-shek

Infelizmente, após três gerações, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e todos os treinos tiveram de ser interrompidos. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a China foi tomada pelos comunistas. Sob a autoridade dos comunistas, todas as religiões foram proibidas e, naturalmente, todo o treino de Shaolin. Mais tarde, sob a direcção do partido comunista, foi estabelecido o treino de Wushu no Instituto Nacional de Atletismo. Nesta organização, grande parte do treino marcial, bem como as suas aplicações, eram propositadamente ignoradas. O partido comunista tinha como objectivo desencorajar os artistas marciais a reunificarem-se contra o governo.
A partir da história da China, pode-se verificar que todas as revoluções bem sucedidas se deveram à unificação dos artistas marciais chineses. Tristemente, apenas a parte acrobática e estética das artes foi preservada e desenvolvida. Eventualmente, tornou-se patente que os atletas treinados neste período não se sabiam defender nem combater. A representação era o objectivo desta preservação. Esta situação permaneceu inalterada até os finais da década de 1980. Depois do governo chinês ter compreendido que a essência das artes – o treino marcial e as suas aplicações – estava a desaparecer com o falecimento de muitos mestres tradicionais, foi de novo decidido o encorajamento do treino tradicional.
Contudo, muitos mestres já tinham sido mortos durante a denominada “Revolução Cultural”, ou tinham perdido a confiança no partido comunista e não estavam dispostos a partilhar os seus conhecimentos, enquanto outros deixavam o país para viver e ensinar o Kung Fu no ocidente.
Com o objectivo de trazer o Wushu chinês para as competições olímpicas, a China despendeu um grande esforço para promover o Wushu. Com esta motivação o Templo de Shaolin recebeu de novo a atenção do governo. Novos edifícios foram construídos, assim como um grande hotel. O Templo de Shaolin tornou-se um ponto de grandes atenções turísticas! Mais ainda, muitas actividades de treino e programas foram criadas para o interesse dos artistas marciais do mundo.
Porém, com a finalidade de preservar as definhadas Artes Marciais Chinesas, foi organizado pelo governo uma equipe denominada “Equipe de Investigação das Artes Marciais”. A missão desta equipa é encontrar velhos mestres tradicionais sobreviventes e reter os seus conhecimentos sobre a forma de livros ou cassetes de vídeo. A situação foi muito diferente na Formosa (Taiwan). Quando Chiang Kai-Shek se refugiou na Formosa, trouxe consigo muitos mestres famosos, que posteriormente ensinaram as Artes Marciais Chinesas. Os métodos de treino mantiveram-se e todas as artes foram preservadas na forma tradicional. Todavia, dado os novos estilos de vida, não há muitos jovens com vontade, paciência e tempo para se dedicarem ao treino marcial. Por isso, o nível das artes marciais atingiu o ponto mais baixo de sempre da história das Artes Marciais Chinesas. Muitos segredos das artes que levaram milhares de anos de acumulação de experiências humanas desapareceram rapidamente.
Para preservar as artes, os segredos remanescentes começaram a ser divulgados ao público, e até à sociedade Ocidental. Ainda bem que os livros e cassetes de vídeo são frequentemente usados quer na China, quer na Formosa para preservar as artes.
Muito das Artes Marciais Chinesas foi preservada em Hong Kong, Indochina, Malásia, As Filipinas, Indonésia, Japão e Coreia. Actualmente, é reconhecido que, para se preservar as artes, todos os artistas marciais interessados pelas Artes Marciais Chinesas se devem unir e partilhar os seus conhecimentos abertamente. Se nós acalmarmos e olharmos para trás, para a história das Artes Marciais Chinesas, poderemos ver que no princípio de 1900, as artes marciais ainda mantinham o seu treino tradicional e o seu nível ainda permanecia elevado.
Desde essa altura até à Segunda Guerra Mundial, o nível das artes decaiu muito rapidamente. Da Segunda Guerra Mundial até hoje, o nível das artes não atingiu nem metade dos níveis tradicionais. Todos nós devemos compreender que o treino das artes marciais já não é útil para a guerra. As possibilidades de usar em defesa pessoal também foram reduzidas ao mínimo, comparado com os tempos antigos. São artes cujos conhecimentos requereram aos Chineses milhares de anos de acumulação. O que nos resta para aprender é o espírito das artes. Da aprendizagem destas artes, nós seremos capazes de disciplinar-nos a nós próprios e promover a nossa compreensão da vida para um nível espiritual mais elevado. Da aprendizagem destas artes, nós seremos capazes de manter uma condição física e mental mais saudável.

Durante o período da República da China, Associação Jingwu (Chin Woo) de Educação Física foi fundada em Xangai em 1910, seguido pelo Associação Chinesa de Artistas Marciais e a Associação de Artes Marciais Mãos Macias e muitas mais. Em 1928, o governo da República da China estabeleceu o Instituto Central de Guoshu em Nanjing. Esta foi o primeiro centro de formação esportiva de artes marciaisa nível a nacional chinês. Outras províncias e cidades começaram a criar seus próprios institutos de Guoshu. O Instituto Central realizou dois grandes torneios nacionais em 1928 e 1933. O maior leitai de mãos nuas na recente história foi o torneio de 1929 de Guoshu em Hangzhou, na província de Zhejiang.
Em 1936, a equipe de artes marciais chinesas na maior parte do Instituto Central Guoshu demonstrou o Kung fu nos Jogos Olímpicos de 1936. O Wushu foi agora formalmente demonstrado ao mundo como um grande esporte. A partir de então, havia centenas de estudantes estrangeiros que vieram à China para estudar as artes e espalhá-las para o mundo.

Grande Mestre Huo Yuanjia, fundador da Chin Woo Athletic Association
 

Na década de 1930, Zhong Daochang do Japão foi para o Templo Shaolin para estudar o Shaolin Quan e retornou ao Japão depois de vários anos para estabelecer a maior organização de artes marciais no Japão, conhecido como Shaorinji Kenpo, com mais de um milhão de membros. Houve centenas de organizações de artes marciais indo visitar e estudar na China durante as últimas décadas. Hoje, existem milhares de escolas de Shaolin e outras escolas de artes marciais chinesas nos cinco continentes. Há milhares de escolas de artes marciais do mundo derivado de artes marciais chinesas, especialmente do Shaolin.

O Wushu Moderno hoje consiste em Taolu e Sanshou (luta de contato total). Existem mais de 100 estilos populares tradicionais de Wushu praticado hoje na China. Todas as escolas tradicionais de artes marciais chinesas têm seu próprio estilo particular de sistemas de Taolu e Sanshou. O Wushu Tradicional é um sistema completo de filosofia, medicina, esportes e artes. O Wushu Tradicional tem mais de 100 sistemas de ensino fundamental na China. Eles são tradicionalmente classificados em dois tipos principais de atuação: interno e externo. Externo centra-se na potência muscular externa e da força, velocidade e agilidade, como Shaolin Chang quan/Nan quan, enquanto o interno destaca força interna, equilíbrio yin / yang Qi, o fluxo de Qi, a manipulação do Qi e do corpo-mente-controle, tais como Taijiquan e Xingyiquan.
Wushu Chang Quan (Punhos longos / punhos do norte)


Wushu Nan Quan (Punhos curtos / punhos do sul)

Geograficamente, existem estilos do sul e do norte, com base em localizações das principais  montanhas chinesas. Há escolas de Shaolin, Wudang, Fukien, Quantong e E-mei. Tecnicamente, existem dois tipos:. Changquan (longo alcance / punhos do norte) e Nanquan (curto alcance / punhos do Sul).
O Wushu Contemporâneo foi fundado por um grande número de artistas marciais.
Wang Zhiping e seus alunos em 1953
Wang Zhiping, o artista marcial mais conhecido na história recente das artes marciais chinesas, foi o número um responsável pelo Wushu moderno. Grão-Mestre Wang derrotou os chamados lutadores mais poderosos do mundo da Rússia em 1918. Em 1929, no maior leitai de lutas de mãos nuas, ele voltou a vencer 1º lugar na China. Ele liderou a primeira organização de Wushu na China em 1950. Estudantes do Grão-Mestre Wang e alunos do antigo Instituto Central Guoshu remodelaram o Wushu na era moderna. Outra figura de destaque na Wushu moderno é o Grão-Mestre Zhang Wenguang que foi o campeão nacional em 1933 e 1935 de Shuaijiao e campeão nacional de artes marciais na China. Ele liderou a manifestação da equipe chinesa de artes marciais de 1936 nos Jogos Olímpicos. Ele está morando atualmente na Universidade de Educação Física e Esporte de Pequim. Esses mestres e grão mestres foram os combatentes mais destacados das artes marciais modernas na China.


   Grão-Mestre Zhang Wenguang

O Templo Shaolin teve muitos sofrimentos e vicissitudes, mas sobreviveu e prosperou bem na nova era. O Templo Shaolin é conhecido como o berço do Chan (Zen) e das artes marciais internas e externas e das práticas de medicina chinesa. Foi o Grande Mestre do Templo Shaolin da 29ª geração , o compassivo Shi Zhen Chu, que levou seus discípulos e as pessoas locais para lutar contra os invasores japoneses para impedi-los de entrar no Shaolin, para que pudesse ser preservado o "Patrimônio Shaolin" , foi graças a ele que o Legado de Shaolin  continuou até hoje. Durante toda a sua vida salvou milhares de vidas dos inimigos e da fome, ensinando-lhes a liberdade de viver. Um dos seus discípulos foi o Grande Mestre Su Xi da 30ª geração de mestres do templo, que passou seus conhecimentos ao seu discípulo Shi de Yang, 31ª geração (Atual).



Shi De Yang transmitindo o tesouro de Shaolin para a nova geração.